31/07/2017

O QUE DEUS COLOCA A CADA UM - O CONHECIMENTO

"Não procures saber o que excede a tua capacidade, e não especules o que ultrapassa as tuas forças, mas pensa sempre no que Deus te mandou, e não tenhas a curiosidade de conhecer demasiado número das suas obras."
 
(Eclesiástico, III, 21)

22/07/2017

Revelações a Sta. Brígida - PERMISSÃO DA EXISTÊNCIA DE MALVADOS


Palavras do Criador à esposa sobre como sua justiça mantém os malvados na existência por uma
tríplice razão
Eu sou o Criador do Céu e da Terra. Perguntavas-te, esposa minha, porque sou tão paciente com os malvados. Isso se deve ao facto de que sou misericordioso. Minha justiça os aguenta e minha misericórdia os mantêm por uma tríplice razão. [1]Em primeiro lugar, minha justiça os aguenta de forma que seu tempo se complete até o final. Poderias perguntar a um rei justo porque tem alguns prisioneiros aos quais não condena à morte e sua resposta seria: "Porque ainda não chegou o tempo da assembleia geral da corte na qual possam ser ouvidos e onde, aqueles que os ouvem, podem tomar maior consciência". De forma parecida, eu tolero os malvados até que chegue seu tempo, de maneira que sua maldade possa ser conhecida por outros também. Já não previ a condenação de Saul muito antes que se desse a conhecer aos homens? O tolerei durante longo tempo para que sua maldade pudesse ser mostrada a outros. [2] A segunda razão é que os malvados fazem alguns bons trabalhos pelos quais hão de ser compensados até o último centavo. Desta forma, nem o mínimo bem que tenham feito por mim ficará sem recompensa e, consequentemente, receberão seu salário na terra. [3] Em terceiro lugar, os aguento para que se manifeste assim a glória e a paciência de Deus. É por isso que tolerei Pilatos, Herodes e Judas, apesar de que iam ser condenados. E se alguém perguntar por que tolero a tal ou qual pessoa que se lembrem de Judas e Pilatos.

Minha misericórdia mantém os malvados também por uma tríplice razão. [1] Primeiro, porque meu amor é enorme e o castigo é eterno e muito grande. Por isso, devido ao meu grande amor, os tolero até o último momento para retardar seu castigo o mais possível na extensa prolongação do tempo. [2]Em segundo lugar, é para permitir que sua natureza seja consumida pelos vícios, pois experimentariam uma morte temporal mais amarga se tivessem uma constituição jovem. A juventude padece uma maior e mais amarga agonia na hora da morte. [3] Em terceiro lugar, pela melhora das boas pessoas e a conversão de alguns dos maus. Quando as pessoas boas e rectas são atormentadas pelos perversos, isso beneficia os bons e justos, pois lhes permite resistir ao pecado ou conseguir um maior mérito. Igualmente, os maus, às vezes, tem um efeito positivo nas outras pessoas perversas. Quando esses últimos reflectem sobre a queda e maldade dos primeiros, dizem a si mesmos: "De que nos serve seguir seus passos?" E: "Se o Senhor é tão paciente, será melhor que nos arrependamos". Desta forma, às vezes voltam a mim porque temem fazer o que fazem os outros e, além disso, sua consciência lhes diz que não devem fazer esse tipo de coisas. Dizem que, se uma pessoa foi picada por um escorpião, pode-se curá-la quando se a unte com azeite no qual haja outro escorpião morto. De forma parecida, às vezes uma pessoa malvada que vê a outra cair pode ver-se atingida pelo remorso e curada, ao reflectir sobre a maldade e vaidade do outro. (das revelações e profecias de Sta. Brígida da Suécia, liv. I, cap. XV)

01/06/2017

O BOM COSTUME VEM DA VIRTUDE

[aviso: o Santo Zelo prefere usar a língua portuguesa de forma ágil, porque é um blog brasileiro, sem deixar de ser um blogue português. Por exemplo na palavra "ação" eu prefiro escrever "acção"; o "c" não se lê e serve apenas para abrir a sonoridade do "a" anterior, tal como falamos]
A reverência e o cumprimento
A civilidade cristã é virtuosa, não é de qualidade puramente humana; pois, praticada segundo o espírito de Cristo, e neste espírito conduzida, orienta-se à glória de Deus e verdadeiro proveito do próximo. As nossas acções exteriores, que são as únicas que podem ser regulamentadas pela cortesia, como disse S. João Batista de La Salle, devem ser a expressão da própria virtude.
A justiça na diferença
Segundo o desenvolvimento dos códigos da civilidade cristã, a caminhada gradual teve seu ponto mais elevado no século XVIII quando foi começada também a sua queda (conforme o poder nos reinos era ocupado pela agenda Liberal).
S. João de La Salle
É valorosa a civilidade, em reconhecimento e usufruto da nobreza da filiação divina obtida em Jesus Cristo Senhor Nosso, ao passo que a civilidade apenas humana assenta na vaidade e mero pragmatismo. Nestas considerações, devemos dar um valor elevado ao bom uso das nossas faculdades espirituais, e inclinar as nossas intenções e acções com um caráter não apenas temporário, mas principalmente eterno; e para a edificação do próximo. Assim, o código de civilidade foi evoluindo e respondendo ao crescimento da sociedade cristã, que teve o seu auge de complexificação no século XVIII, quando começa ao mesmo tempo a decair (como já referi).

Sem receios, podemos dizer que a verdadeira civilidade é a cristã.

04/05/2017

NOVELA: O ATEÍSMO EM PAUTA

"Nada cobre tanto de opróbrio a razão humana como o estondíssimo e abominável Materialismo. Talvez agradará mais palpar sua necedade ridícula em uma Novela:

Um navegante, depois de ter naufragado, foi lançado em terra numa grande Ilha povoada de grosseiros, e rudes habitantes, que nenhuma comunicação tinham com o resto do Continente. Antes de se encostar este desgraçado, para recobrar com o sono as forças perdidas pela vigília, e desfalecimento em que se achava, tirou da algibeira o relógio, deu-lhe corda, e o pôs junto a si. Mas surpreendido pelas feras no tempo em que dormia, foi por elas morto e conduzido às suas cavernas. Pela manhã os Ilhéus acharam por casualidade o relógio; e movidos da curiosidade de ver o que era que se movia dentro, tanto estudaram e trabalharam, que por fim conseguiram atinar com o segredo de abri-lo. Porém, que espectáculo tão maravilhoso a seus olhos! De repente foi ele o objecto de todos os discursos. Nenhum deles podia compreender como, ou por onde houvesse vindo ali, qual fosse seu uso, e muito menos quem houvesse sido o artista de uma maquina tão delicada e admirável. Todos admiraram a delicadeza, e finura de seu trabalho, a harmoniosa disposição de suas partes, a exacta, e ajustada correspondência das mesmas, a direcção universal encaminhada a produzir o movimento, e a caixa exterior feita com toda a previsão para o conservar. Porém, o que excedeu sobre tudo suas inteligências, foi a primeira força motriz, em quanto a mola esteve oculta a seus olhos. Nenhum duvidava, que quem fizera tal maquina era em sumo grau superior a eles em conhecimentos, e maquinismo. A nenhum lhe passou ao menos pela imaginação, ou que se houvesse ela produzido a si mesma, ou que fosse obra do acaso; e nenhum se fartava de admirar e celebrar o seu artífice. Sem embargo alguns sabiositos, que se tinham por mui superiores aos demais Ilhéus, começaram a contradizer a opinião geral, dizendo: que não se podendo dar a razão de como tivesse ali vindo a máquina, se podia afirmar muito bem que a terra a havia produzido. O mesmo foi ouvirem isto os outros, que começarem ás gargalhadas; e por modo de escárnio lhes começaram a perguntar: como acontecia, que a terra não produzia casas, chapéus, vestidos, e utensílios? Mas esta réplica capaz por si mesma de fazer entrar em juízo a qualquer, que ande em dois pés, foi justamente a que mais empenhou os tais doutores em acharem o modo, com que a terra houvesse produzido o relógio. Eis aqui como discorriam: “Os metais acham-se na terra: um fogo eléctrico ou vulcânico pode tê-lo fundido: a fermentação, que precisamente se haverá ocasionado, pode ter feito singulares combinações, e talvez poderá ter-lhe posto o ultimo perfil.”
Outros mais eruditos imaginavam, que muitos, e diversos metais se haviam derretido, e envolvido uns com outros, e que a simpatia deles, juntamente com a atracção, etc. etc. facílimamente, e como quem nada faz, teria traçado o plano, com que um metal com outro formassem diversas figuras de rodas dentadas, pêndulas, cadeias, etc. etc. E pelo que pertencia à igualdade perfeitíssima dos dentes, à finíssima proporção das partes, às figuras exactissimamente feitas umas pelas outras, e à evidente disposição de tudo a um fim maravilhoso, o atribuíam a um acaso, que, apesar de difícil, não tinha alguma impossibilidade. Porém o Povo, a quem é mui difícil (se não é impossível) fazer-lhes perder os estribos dos primeiros ditames da razão, se ria igualmente das explicações de uns, como das dos outros.
Se as ditosas dissertações sobre o relógio houvessem caído em nossas mãos, teriam escapado seu avinagrados autores de uma patente de loucos rematados?! Pois meus Senhores Materialistas, mutato nomine, de te fabula narratur. Por mais curiosamente, que esteja formado um relógio, não é comparável sequer com o corpo de um animal. O relógio não é produtivo, nem gera outros relógios, nem tão pouco tem alma, espírito, ou razão. Logo, todos vós, Senhores Filosofantes, fazeis dissertações muito mais absurdas, que as que faziam os Ilhéus. Portanto, se estes tinham mérito muito de sobejo para serem lidos por loucos, vós sem dúvida o tendes ainda maior. Oh Filosofia moderna! Quando terá luz, sequer ao menos para saberem envergonhar-te de ti mesma?! ...)
Porém que loucura ou absurdo, por mais disparado que seja, não abraça a Filosofia, com tanto que possa fazer-nos delirar?!
Porém a Filosofia se tem feito célebre na Física à força de delírios, e ninharias, não é menos delirante na Metafísica. Seus princípios e axiomas principais correspondem a pedir de boca a seu predilecto prurito de delirar em tudo, e por tudo. Para fazer uma Matemática delirante não se necessitava de mais, que pôr um de seus princípios fundamentais, que um ângulo recto é, ou pode ser menos que um ângulo agudo, e eis-aqui transtornada toda a Matemática, feito o todo menor que a sua parte, e esta maior que o seu todo, e falsificado quanto até aqui era verdade evidente, e vice-versa. Em os antigos tempos, em que a razão era o essencial constitutivo do homem, sobre ela se fundavam, e dela fluíam seus direitos, e seus deveres. Mas a Filosofia achou pouco pasto em um principio tão singelo, e tão evidente, para a sua mania de delirar sobre a liberdade, a igualdade, a independência, a sociedade, e os governos, etc. etc.; foi então, que substituindo àquele principio a potência física da natureza animalesca, e formando dela a base dos direitos do homem, não conheceu desde então limites em forjar delírios, que afagassem as paixões. A moderna Metafisica, pois, veio a parar em um caos de direitos contraditórios, quais são: Soberana escravidão, independência dependente, e arrazoamentos absurdos. No entanto delira-se, e delira-se deliciosamente. O que mais abusa da razão, é o mais qualificado de racional; e esta verdade austera, e a sabedoria profunda são olhadas, e tratadas com desprezo, e desdém. O que há ainda mais para admirar, é, que este deleitável delírio não só tem apoderado do cérebros das frágeis damas, dos estonteados petímetres, e dos anciãos deslembrados, e patetas; mas até por uma espécie de encantamento tem feito em todas as cabeças o mesmo transtorno, que os livros de cavalarias fizeram na de D. Quixote. No meio de seus mais sólidos raciocínios entravam como indubitáveis verdades seus caprichos, seus encantadores, e seus cavaleiros andantes. E qual é hoje o literato, que não há enchido suas obras de inundações, épocas, vulcões, aluviões, e terremotos? Qual, o que, como verdura em horta, não nos haja espalhado nelas os direitos do homem, a liberdade, a igualdade, a soberania, a ilustração, e toda a demais sorte de tonteiras? Quem nos diria, que havia chegar tempo, em que fôra vergonhoso não delirar?! Pois isto é o que actualmente está sucedendo. Desditoso o que marcha sobre os verdadeiros princípios da razão, da verdade, e da experiência: não é necessário mais, para ser apontado com o dedo como um supersticioso, e metido à bulha como um ignorantão, e um imbecil.
Porém, valha-nos Deus; para que fim tanto empenho em inventar disparates? Tanto deleite se acha no delírio, que cheguemos a enojar-nos com a verdade, e com a razão?! Quando a um sabiosito da moda se lhe enchem de repente os cascos de ideias romanescas, e extravagantes, e se lhe vai de todo o juízo, é tido logo por um louco perfeito. E então só a Filosofia há de delirar à sua vontade, não só sem quebra, mas com honra e aplauso?! Com que só ela há de fazer alarde de toleima e loucura; e a verdade, a razão, e a justiça hão de estar como escravas atadas ao carro de seu triunfo?! Apostemos nós que há aqui oculto algum fito, ou alvo, muito mais agradável, que o deleite de agradar?!
Muitos, sim, muitos disparatam de boa fé, por orgulho, por presunção, por ligeireza de miolos, e porque são loucos e estonteados à nativitate. Porém entre os principais, e pela maior parte, o seu delírio é filho de um refinada malícia, e de um plano infernal de corromper à força de disparates o entendimento do homem, e dispô-lo desta quiza, a que arroje de si a Moral e a Religião. Estes pérfidos sonhadores, são os que descaradamente se chamam: FILÓSOFOS, LIBERAIS-MAÇÕES, ESPÍRITOS-FORTES, DESPREOCUPADOS, ILUSTRADOS, etc. [...]"
(Vocabulário Filosófico-Democrático indispensável para todos aqueles que desejem entender a nova língua Revolucionária. Lisboa, ano de 1831, N.º3)

16/04/2017

VOTOS DE BOA PÁSCOA (2017)

Nosso Senhor entregou-se para ser flagelado e crucificado, não porque não tinha poderio superior para livrar-se dos embutes que lhe armaram, mas para a redimir e ensinar-nos o caminho. Ressuscitou como disse! Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Deste dia podemos fazer também grande menção ao Juízo Particular, e ao Juízo Final (Universal) que ocorrerá um dia. É com temor unida à uma alegria espiritual que os bons cristãos esperam e desejam a que com mais coragem participar destes grandes mistérios.

E neste ano de 2017, desejo uma santa e feliz Páscoa aos leitores, e aos que por bem apareçam pelo blog ✠ SANTO ZELO.

Rafaela.